terça-feira, 27 de maio de 2014

Parte I – as sementes que caíram no pedregal

Sobre as sementes

Parte I – as sementes que caíram no pedregal

Sobre viver a vida dos outros, pensar e as sementes.



Minha querida,
Já pensou em tudo o que poderia fazer nesse mundo? Já pensou em tudo que poderia pensar? Já parou para pensar nisso? Se o fez peço que não o faça mais. Não me entenda mal, não digo que não pense, mas sim que NÃO PARE para pensar, não sempre, que a vida, de tão dinâmica que é, e de tão necessária de ser vivida não carece de interrupções de ação para um pensamento sempre. Em vez disso, pense nas suas ações e nos outros enquanto é parte delas e dos outros também, isso propiciará no futuro a pensar enquanto age, ou seja, estará sempre pensando no que é bom e se o vale executar. Claro que em momentos encontrará a necessidade de pensar só e reclusa e intimamente distanciada de tudo (e aqui mora o perigo! É onde grandes pensadores se aterraram, cavando a própria cova e esculpindo a própria lápide e as vezes a lápide de milhões de pessoas. Eles pararam para pensar e se distanciaram tanto da realidade que criaram um “mundo melhor” ou ao menos soluções que deixariam o mundo ao seu formato. É a famosa receita da “cura da humanidade” o que invariavelmente gera muito derramamento de sangue em vão por uma utopia onde o humano é tão deixado de lado que não importa ele e sim o conjunto deles e ao mesmo tempo não importa nenhum. O distanciamento as vezes gera um problema: as pessoas pensam estar tão distante que as ações pensadas não cabem também a elas mesmas, quando na verdade sempre cabem – mas isso é para um outro momento)
Mas voltando ao nosso assunto, minha irmã, gostaria de falar sobre quatro coisas, quatro pequenos momentos, que ao final se mostrarão tão íntimos que pensará ser um só. Vou dividir em quatro textos. Claro que eu te conheço e sei que um único e longo texto seria fastidioso o suficiente. Falemos então sobre as sementes que caíram em pedregais e o que elas têm em comum com o que você, querida irmã, pode fazer nesse mundo.

Era um sábado, daqueles bem tranquilos, onde após o almoço você dá aquela espiadinha no seu facebook para dar umas gargalhadas (acredito, cada vez mais que essa é a única função proveitosa dele). Ao abrir o facebook havia um vídeo daqueles contra alguma coisa, reclamando da política e de algum ou alguns partidos eu acho. Assisti e o vídeo e como todos que o fazem me senti indignado por alguns segundos, assim como acontece com todos. Porém o que me ocorreu depois, o que veio em seguida foi algo espetacular e que, acredito eu, mudou a minha vida. Não seria justo que isso que aconteceu comigo permanecesse somente comigo e é por isso que eu te escrevo hoje. Deixe-me ser mais claro. Naquele momento eu pensei em tudo o que aquele vídeo falava e me perguntei, será que é verdade? O que eu sei sobre isso? Eu não vivi esse tempo, eu não era dessa época (ahh..o vídeo falava dos períodos do final da ditadura e pós-ditatorial de “surgimento” de alguns partidos políticos no país). Não sei quanto à você mas a todo momento alguém me pergunta uma opinião sobre algo que jamais pensei, ou então algo que pensei tão superficialmente que me parece injusto emitir qualquer palavra sobre o assunto. Vou fazer um ponto aqui para começar a construir um outro caminho que em breve se cruzará com esse.

Irmã, se tenho uma dica que posso lhe dar, acima de todas as outras desse texto é: Leia a Bíblia. Não digo para que sistematicamente abra a Bíblia e leia obrigada as linhas de palavras arcaicas e finja ao final ter entendido algo. Digo, abra a bíblia, respire fundo, leia um trecho e pense, reflita, traga para o seu dia a dia, critique (no sentido mais inteligente que essa palavra pode ter) e só assim verá como essas sabias palavras são enriquecedoras, convidativas e refrescantes. Mas continuemos (qualquer dia abra em Mateus e leia, leia inteiro se quiser, leia com calma, pense e pergunte, explore, use a internet use seu Pai e sua Mãe, nosso Pai e nossa Mãe e use outros livros) com a história, ou parábola (e é fantástica a explicação de por que falar em parábolas que Jesus dá (se quiser ver – Mateus 13 de 10 a 17), uma verdadeira lição de simplicidade de abrangência e por que não de Marketing)) pois bem, certa vez havia esse homem que caminhava  e deixou algumas sementes caírem num solo rochoso, onde apesar de germinarem, as mesmas não sobreviveram ao sol forte, justamente por não conseguirem penetrar no solo que era muito duro para as suas curtas e frágeis raízes, por falta de profundidade elas morreram, ponto, fim, triste não?, mas extremamente proveitoso.

Repare como Jesus é sábio em suas palavras e repare como as mesmas podem, ser trazidas para a atualidade, respeitadas as diferenças de tempo. Aquela ideia, lembra? Que eu falei antes, a do facebook? Pois é, a mesma morre muitas vezes. Não estou discutindo aqui a veracidade dos fatos que me foram apresentados no vídeo, mas a falta de solo, de profundidade que existe em nós em alguns temas e até na nossa própria fé enquanto cristãos, para que germinem plantas, flores e frutos fantásticos. Deixe-me explicar melhor ainda. Após ver o vídeo eu mergulhei, como se fosse uma necessidade desesperada, na busca por conhecer esse período, por descobrir onde estavam aquelas pessoas, o que elas faziam, o que gerou tudo aquilo que hoje chamamos de direita e esquerda no Brasil e que por vezes personificamos erroneamente na figura de pessoas e partidos. Resolvi ir atrás, comprei alguns livros, li alguns artigos, assisti alguns vídeos e confesso ainda sou muito raso no assunto, mas o importante é que a planta não morreu. O mesmo ocorre na Bíblia querida irmã, ao ler a mesma não deixe de ver o que estava acontecendo, o que se passava e quem eram aquelas pessoas, acredite, mais do que eu, você vai se apaixonar (essa palavra merece um parêntese, sabe o que é apaixonar? A paixão é definida como sofrimento, lembra-se? A paixão de Cristo? Então, apaixonar é a negação “a” da paixão “sofrimento” logo apaixonar é deixar de sofrer, lindo não? Então permita-se deixar de sofrer), não só na Bíblia, mas também na mente que Deus lhe deu e permitiu alcançar tanto conhecimento.

Agora sim, após esses espaços preenchidos eu gostaria de voltar ao início do texto. Lembra-se quando eu disse sobre o quanto você poderia fazer? Pois é, como Deus nos propiciou a nossa inteligência, homens abrilhantados registraram as inteligências deles: nas palavras, nos livros, nos vídeos, nos áudios, enfim, na História. E o que isso tem com você? É simples, o que eu peço hoje é que se permita viver aquilo que jamais poderá, talvez por que não tenha dinheiro, talvez por ter acontecido a muito tempo ou até talvez por não ter tempo ou facilidade ou inteligência suficiente para o tema. Como? Através do outro, isso mesmo, através de outras pessoas que viveram, que viram, que investiram seu tempo, dinheiro e inteligência em algo que apesar de não ter vivido você pode, indiretamente, viver pelo outro. É como se a terra, o terreno que é necessário para o crescimento daquelas raízes, estivesse também nas palavras no próximo, a quem a Bíblia nos ensina a no mínimo, no mínimo, respeitar. Sim, já imaginou irmã querida? É como se Deus nos desse um cheiro, longínquo do sabor da onipresença, que jamais poderemos alcançar, mas que em última instância, num toque de Mestre que só Ele tem, ele depositou no próximo, para que com o respeito e amor, pudessemos dividir a vida e o conhecimento e colocar mais camadas de terra sobre esse solo rochoso e por vezes duro que é a vida.
Como eu sei disso? Como alguém com a minha idade poderia dar qualquer opinião sobre a vida sem ao menos conhecê-la?  Aí que se enganam! Alguma coisa eu conheço. Óbvio que não da mesma forma que os anciãos que acumulam experiência (aos quais um dia ,em maturidade, espero me ajuntar), mas conheço pelas palavras dos outros, pelo que me mostraram, pelo que vi em vídeos e livros e audios e que não são da minha época, pelos poetas e prosadores que registraram os momentos mais belos e tristes de sua vida e da nossa espécie e que agora também são minha vida e minha experiência.

Com carinho sempre do seu irmão.  T.S.