Sobre as sementes
Parte II – as sementes que caíram entre
os espinhos
Sobre ser sufocado
e a inveja (ou invejosos) do sucesso.
Olá minha querida irmã. Como é
bom continuar nossas conversas, mesmo que em um formato quase de monólogo
mental me sinto bem em saber que você pode ler isso agora ou um dia qualquer,
ou quem sabe melhor, agora e um dia qualquer. Pois bem olhe só essa estória que
interessante.
Era uma vez uma pessoa (ou duas,
ou um grupo delas ou um personagem de desenho animado como queira) que começou
a crescer (e entenda crescer aqui como sucesso) muito na vida. Um dia outra
pessoa, ou outro grupo viram isso e ficaram invejosos e aí atacaram essa pessoa
e a hostilizaram, colocando-a no mais sombrio pântano de pecados dentre os quais
os seres humanos podem cometer, fim.
Como a estória acima é minha é
simples demais e sem enredo muito legal... vou fazer assim então, vou colocar
outra mais contundente. Na verdade é a continuação de uma parábola... acontece
que algumas daquelas sementes, sobre as quais conversamos da última vez, caíram
em um solo com espinhos e acontece que os espinhos crescendo, sufocaram a
planta e ela morreu (Mateus 13:7).
Acho que nesse ponto já está
bastante claro o sentido do texto, falo um pouco sobre o sucesso. Mas não sobre
qualquer sucesso, falo sobre o sucesso belo, simples, puro, limpo que nos deixa
tão felizes quanto revoltados os que ao nosso redor se intimidam com ele. Não
vou me ater à questão do que fazer com esses invejosos e como eles
transformaram, por medo, maldade e qualquer outra explicação esdrúxula e escusa
o sucesso em pecado. Vou me firmar a lhe mostrar, minha querida, como isso está
presente entre nós e como você, ao ganhar o imenso mundo que tem pela frente,
não precisa se sentir assim ao obter o sucesso que tanto almeja.
Antes de começar, gostaria de
frisar que os incrédulos no sucesso vão aqui afirmar que o sucesso advém do
fracasso de outros, ou ainda pior que o sucesso só pode vir do fracasso de
outros. Uma idiotice sem tamanho, essas pessoas costumam pensar a vida como uma
grande receita econômica sem sucesso, assim como disse Rodrigo Constantino em
seu livro “Esquerda Caviar” (o qual eu recomendo – principalmente pela diversão
que proporciona), “Vivemos em um país que condena culturalmente o lucro e
enxerga a economia como um jogo de soma zero, onde José, para ficar rico,
precisa tirar de João...” ora, é óbvio que fosse assim a economia morreria pois
jamais seria criada riqueza alguma (mas isso é para um outro momento). O que
ocorre é que aqueles incrédulos do sucesso (como uma marca de prosperidade)
continuarão a agir como espinhos em seu crescimento, sufocando cada bela pétala
nova de uma flor que poderia desabrochar por conta própria. É claro que estão
automaticamente excluídos os que pisam e se aproveitam do semelhante
afundando-o para se manterem de pé.
Os espinhos estão por todo lado
minha irmã, assim como os espinhosos. Repare que não estou me dirigindo
especificamente aos invejosos os quais como o próprio significado da palavra
invejam, desejam o que o outro tem***, invejar vem de invedere, ver com
malícia. É claro que esses não são da melhor estirpe mas , acredito eu, ainda
tem na base um sentimento de posse para “justificar” ,mesmo que erroneamente
seus atos, enquanto uma grande maioria apenas cresce em nosso torno como
espinhos. Esses últimos não desejam o que temos, mas agem pelo simples fato de
acreditar que não podemos possuir o que possuímos. Esses continuam
terrivelmente abaixando nossos ombros para sussurrar em algum momento que
tentar o sucesso é pecado, é ruim, é esnobe... À esses a minha mais profunda
pena, dó, lástima, por uma percepção pobre do que é o sucesso.
Recentemente li no Livro de Olavo
de Carvalho, mais especificamente no texto publicado em Bravo!, fevereiro de 2000 chamado Vocações e equívocos, uma
explicação bastante esclarecida sobre de onde vem isso, espero que algum dia
encontre um tempinho para ler, curto, rápido e certeiro. O autor mostra um
pouco dessa característica do brasileiro mas que pode ser encontrado em tantos
povos do mundo, de serem como espinhos, que impedem o crescimento do outro,
acreditando que o mesmo está cometendo um grande delito ao crescer.
Minha querida, o sucesso,
enquanto alcançado de forma limpa e pura, é uma das maiores provas das
capacidades que Deus nos deu. Outro dia ouvi Ciro Gomes tocar no assunto,
dizendo de uma maneira crítica que continuamos com aquela velha história de ser
mais fácil um camelo passar o buraco de uma agulha que um rico entrar nos céus.
Ciro nesse ponto estava corretíssimo, Lutero há muito tempo já nos permitiu ler
a palavra de Deus, e isso só nos faz mais culpados ao recortar um trecho da
bíblia e querer que ele se encaixe em cada momento das nossas vidas. Quem lê
esse trecho em Mateus, e não continua lendo, cai sempre na mesma história de
entender riqueza, crescimento, ou sucesso como um pecado e que a única forma de
entrar no reino do Senhor é se livrando de tudo. Desafio então minha irmã a
continuar lendo o trecho da Palavra e ver o que mais o Cristo nos fala logo em
seguida, sobre a impossibilidade em seu Pai, Deus.
Infelizmente esses espinhos não
estão satisfeitos em crescer, ainda querem condenar a cada pétala da planta que
cresce em seu meio por crescer mais bela e maior que os mesmos, e infelizmente
as vezes eles a matam.
Tom Jobim disse (acredito eu) que
“O sucesso, por aqui, é um insulto pessoal”, estava ele certo? Acredito que
sim. Numa tentativa desesperada de justificar nossas fraquezas colocamos no que
cresce ao nosso lado as culpas e justificamos a culpa como o erro cometido que
é o próprio ato de fazer sucesso; não seja como o espinho.
Minha querida, mais uma vez me
delonguei demais, espero que tenha percebido como o sucesso é uma bênção e como
podemos entender ele (assim como algumas pessoas e até nações o fizeram,
Alemanha, Inglaterra, EUA, por uma ótica menos pecaminosa e mais condizente com
o nosso mundo).
Com o mesmo carinho,
para minha flor, T.S.
*** Invejar desejando o que é do outro, é diferente de se
deparar com a beleza do que o outro tem e correr atrás para conseguir o mesmo
ou mais, de uma forma limpa. Desejar o que outro tem é diferente de desejar o
que É do outro!